A Umbanda não precisa de medo para ter força. Não precisa de mistério artificial para ter profundidade. Não precisa impedir perguntas para preservar fundamento. E não precisa transformar pessoas em dependentes da espiritualidade para continuar sendo sagrada.
Nós acreditamos em uma Umbanda que pode ser respeitada sem ser temida. Uma religião que pode preservar seus mistérios sem transformar desconhecimento em autoridade. Uma tradição capaz de honrar aqueles que vieram antes de nós e, ao mesmo tempo, permitir que cada geração reflita, estude, amadureça e compreenda melhor aquilo que pratica.
Durante muito tempo, parte do conhecimento religioso foi transmitida pela oralidade. Isso preservou fundamentos, histórias, experiências e tradições preciosas. Mas também permitiu que interpretações pessoais, costumes de uma determinada casa e ideias repetidas durante décadas fossem, algumas vezes, apresentadas como verdades absolutas. Por isso, estudar é importante. Questionar com respeito é importante. Procurar compreender o sentido por trás da prática também é fundamento.
Não acreditamos que fazer perguntas seja falta de fé. Pelo contrário: acreditamos que uma fé madura suporta perguntas. Quando alguém pergunta por que acendemos uma vela, por que utilizamos determinada erva, por que cantamos determinado ponto ou por que realizamos certo ritual, responder apenas “porque sempre foi assim” pode preservar a forma, mas nem sempre preserva o conhecimento.
Também não acreditamos em uma espiritualidade construída permanentemente sobre culpa e medo. Nem toda dificuldade é demanda. Nem todo problema é cobrança espiritual. Nem toda sensação é mediunidade. Nem todo sonho é mensagem. Nem toda coincidência é sinal. E reconhecer isso não diminui a espiritualidade; apenas nos ajuda a vivê-la com mais discernimento.
Entidades espirituais não deveriam ser utilizadas para controlar pessoas, ameaçar escolhas, decidir relacionamentos ou criar dependência. O médium não precisa abandonar sua autonomia para desenvolver sua mediunidade. O consulente não precisa entregar sua vida nas mãos de um dirigente. E nenhuma posição religiosa deveria colocar alguém acima da responsabilidade pelas palavras que utiliza.
Uma orientação espiritual pode acolher, fortalecer e transformar uma pessoa. Mas uma orientação irresponsável também pode produzir medo, culpa e sofrimento. Por isso, quem ensina, aconselha, incorpora, dirige ou ocupa qualquer função de responsabilidade dentro de uma casa espiritual precisa compreender que está lidando com vidas humanas.
Acreditamos profundamente na importância dos terreiros. É dentro deles que muito do conhecimento da Umbanda permanece vivo. É ali que se aprende convivência, disciplina, hierarquia, caridade, responsabilidade e serviço. Nenhum portal, livro, vídeo ou curso substitui a experiência de uma casa séria e de uma comunidade espiritual.
Mas também acreditamos que conhecimento não precisa permanecer inacessível.
Há pessoas chegando à Umbanda todos os dias sem saber por onde começar. Há médiuns que passam anos dentro de uma corrente repetindo práticas que nunca lhes foram explicadas. Há consulentes que desejam compreender melhor aquilo que presenciam. Há dirigentes procurando novas formas de ensinar seus filhos de fé. E há pessoas simplesmente interessadas em estudar uma religião que durante muito tempo foi cercada por preconceito, desinformação e silêncio.
Este portal existe para essas pessoas.
O Umbandisticamente Falando não nasceu para definir qual é a “Umbanda verdadeira”. Existem diferentes escolas, tradições, fundamentos, linhagens e formas de compreender a religião. Respeitar essa diversidade é essencial.
Nosso objetivo é outro.
Queremos organizar conhecimento. Apresentar fundamentos. Registrar diferentes entendimentos. Explicar símbolos. Estudar ervas, pedras, pontos cantados, Orixás, linhas de trabalho, mediunidade, elementos ritualísticos e comportamento dentro da vida religiosa. Queremos permitir que quem chega encontre caminhos de estudo e que quem já caminha há muitos anos continue encontrando motivos para refletir.
E sempre que houver mais de uma interpretação possível, queremos deixar isso claro.
Também não queremos transformar espiritualidade em espetáculo. Mediunidade não deveria ser competição. Cargo não deveria ser símbolo de superioridade. Conhecimento não deveria alimentar vaidade. E fundamento não deveria ser utilizado para diminuir quem sabe menos.
Quanto mais alguém aprende, maior deveria ser sua capacidade de servir.
Esse princípio também orienta nossos cursos, e-books, artigos e demais conteúdos. O objetivo não é produzir pessoas que saibam repetir muitas informações. É ajudar a formar pessoas capazes de compreender melhor aquilo que fazem.
Queremos que um médium não apenas saiba preparar um banho, mas entenda por que está utilizando determinada erva. Que um ogã não apenas saiba executar um toque, mas compreenda o que está sustentando naquele momento. Que alguém não apenas decore características de um Orixá, mas consiga refletir sobre aquilo que essa força representa. Que um ponto cantado não seja apenas repetido, mas também ouvido, interpretado e respeitado.
Conhecimento sem consciência pode virar vaidade. Tradição sem reflexão pode virar automatismo. Espiritualidade sem responsabilidade pode virar abuso.
Por isso escolhemos caminhar entre três pilares:
Fundamento para não perder nossas raízes. Consciência para compreender aquilo que fazemos. Responsabilidade para lembrar que qualquer prática espiritual precisa produzir dignidade, equilíbrio e respeito pela vida.
Não pretendemos possuir todas as respostas. Este projeto também está em construção. Estudaremos, corrigiremos, ampliaremos conteúdos e, quando necessário, reconheceremos que determinada informação pode ser revista. Isso não enfraquece o trabalho. É justamente assim que o conhecimento amadurece.
Queremos construir uma comunidade onde estudar não seja ameaça à tradição, onde discordar não seja desrespeitar e onde reconhecer diferentes fundamentos não obrigue ninguém a abandonar sua própria casa.
Uma Umbanda segura de sua própria força não precisa ter medo do conhecimento.
Este portal é um convite.
Um convite para quem está começando. Para quem já caminha há muitos anos. Para médiuns, ogãs, cambonos, dirigentes, consulentes, pesquisadores, simpatizantes e pessoas simplesmente curiosas sobre essa religião.
Entre. Leia. Questione. Compare. Converse com sua casa. Procure entender. Preserve aquilo que merece ser preservado e tenha coragem de refletir sobre aquilo que precisa ser amadurecido.
Porque a Umbanda que atravessará as próximas gerações não será construída apenas pela quantidade de fundamentos que conseguimos guardar.
Será construída pela qualidade da consciência com que conseguirmos transmiti-los.
Estude com fundamento.
Viva com consciência.
Pratique com responsabilidade.
Umbandisticamente Falando
Umbanda com Fundamento, Consciência e Responsabilidade.
